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quarta-feira, 27 de abril de 2016

DEPUTADO DO PT DEFENDE BLOCO DAS ESQUERDAS PARA CHEGAR O 2º TURNO

Do deputado estadual petista Airton Faleiro [foto], sobre a matéria Santarém poderá ter dois doutores na eleição para prefeito deste ano:
airrton faleiroEm primeiro lugar, meus parabéns para a companheira Socorro pelo elevado título de doutorado.
Sigo no mesmo rumo do comentário que fiz sobre a candidatura do Márcio Pinto, quando disse que o eleitor santareno tem que ter outra opção que não seja escolher entre os candidatos de direita, e sim poder ter a oportunidade de escolha entre candidatos de direita, de esquerda e centro esquerda.
Inicialmente, as candidaturas de Socorro e de [Edivaldo] Bernardo podem, sim, oferecer uma nova opção ao eleitor.
No entanto, insisto que as esquerdas e centro esquerda devem se unir na consolidação de um bloco que se apresente como competitivo, aos olhos do eleitor, ao ponto de polarizar ou se equiparar com outras candidaturas, passando confiança para pleitearem uma das vagas no segundo turno.
Mas o momento é esse, onde cada partido e agrupamentos políticos lançam suas candidaturas e no decorrer do processo veremos quem melhor aglutina e demonstra mais viabilidade eleitoral para representar esse possível bloco de esquerda nas eleições de 2016.
O PT de Santarém aposta que a candidatura da Socorro Pena possa vir a ocupar tal espaço. Boa sorte para os dois pré-candidatos.

terça-feira, 26 de abril de 2016

EX-PETISTA, MARTA SUPLICY É COTADA PARA O PROVÁVEL MINISTÉRIO DE TEMER

Foto – Carolina Mendonça
Ex-petista, Marta Suplicy é cotada para o provável ministério de Temer
Coluna de Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo, hoje:
Mais um nome entrou na já longa lista de ministeriáveis de Michel Temer: Marta Suplicy [foto].
Ela ocuparia a pasta da Cultura ou da Educação, deixando o caminho livre para a candidatura de Andrea Matarazzo (PSD-SP), que viraria o candidato do PSD de Gilberto Kassab e do PMDB, apoiado por José Serra.
Um aliado de Temer diz, porém, que Marta é “mais candidata a prefeita do que nunca”, o que a impediria de assumir qualquer cargo no governo.

PARAIBANO DO PMDB VAI PRESIDIR COMISSÃO DO IMPEACHMENT NO SENADO

Membro do PMDB da Paraíba vai presidir comissão do impeachment no Senado, Raimundo Lira, do PMDB da PB
Raimundo Lira [foto], do PMDB da Paraíba, acaba de ser eleito presidente da Comissão Especial do Impeachment no Senado. A informação é da Agência Brasil.
Os parlamentares discutem agora a indicação do senador Antonio Anastasia (PSDB-MG) para a relatoria do processo.

Assim, passa a contar o prazo de dez dias para que o relator do caso, ainda a ser escolhido, apresente um parecer que precisa ser aprovado por maioria simples, entre os 21 integrantes do colegiado.


quinta-feira, 7 de abril de 2016

TSE MODIFICA SENTENÇA DO TRE, E ABSORVE PREFEITA DE BELTERRA ACUSADA DE CRIME ELEITORAL

TSE
Dilma Serrão, prefeita de Belterra, vai continuar no cargo até o final do seu mandato, no dia 31 de dezembro deste ano.
Em decisão há pouco, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) absolveu a gestora petista das acusações de crime eleitoral.

Leia também – Tribunal Superior Eleitoral pode cassar hoje a prefeita de Belterra.

O TSE, no entanto, aplicou multa de 10 mil reais na prefeita.
No ano passado, Dilma teve o seu mandato cassado pelo TRE Tribunal Regional Eleitoral do Pará, por crime eleitoral. Ela recorreu, mas o tribunal manteve a sentença.
O caso foi parar o TSE.

DEPUTADO FEDERAL DO PARÁ DESAFIA CONTAG A INVADIR SUA RESIDÊNCIA EM BELEM

Deputado federal do Pará desafia Contag a invadir sua residência em Belém
Deputado federal paraense, o Delegado Éder Mauro (PSD – foto) desafiou o secretário de Administração e Finanças da Contag, a Confederação dos Trabalhadores da Agricultura, Aristides Santos, a ir a Belém, no Pará, cumprir o que defendeu no último da 1º, no Palácio do Planalto.
Veja o vídeo o Leia Mais, abaixo.
“Ao senhor Aristides Santos que ameaçou invadir os gabinetes e as propriedades dos parlamentares da Frente Parlamentar de Segurança Pública, quero dizer que eu estarei no estado do Pará, na minha residência para proteger a mim, minha família e propriedade”, rebateu, indignado, o parlamentar.

“Mas quero que ele vá lá pessoalmente fazer isso”
Como forma de evitar o impeachment da presidente Dilma Rousseff, o sindicalista pediu a invasão de propriedades de parlamentares da Frente Parlamentar de Segurança Pública.

quarta-feira, 30 de março de 2016

MUDANÇA NA SUPERINTENDÊNCIA DO INCRA: CHAPADINHA EMPLACA A 1ª NOMEAÇÃO NO GOVERNO DILMA

Mudança na Superintendência do Incra: Chapadinha emplaca a 1ª nomeação no governo DilmaChapdinha, Claudinei e Adaías, novo comando no Incra/Santarém
Mudança no comando da Superintendência Regional do Incra (SR-30) , com sede em Santarém.
Sai Claudinei Chalito; entra Adaias Gonçalves, indicado para o cargo pelo deputado federal Chapadinha.

Leia também – Aos gritos de “Fora PT “, PMDB oficializa saída do governo Dilma Rousseff.

É o primeiro cargo no governo Dilma Rousseff emplaca desde que trocou o PSD pelo comando do PTN no Pará, há cerca de 20 dias.
A mudança na direção do Incra foi antecipada pelo blog.
A nomeação de Adaías Cardoso Gonçalves foi publicada na edição de hoje, 30, do DOU Diário Oficial da União.
Com formação superior em agronomia, o novo número 1 do Incra tem experiência na área fundiária.

GOVERNO DILMA TEM DESAPROVAÇÃO DE 69%, DIZ IBOPE

Pesquisa ouviu 2.002 pessoas entre os dias 17 e 20, em 142 municípios


Pesquisa Ibope divulgada nesta quarta-feira (30) mostra os seguintes percentuais de avaliação do governo da presidente Dilma Rousseff (PT):
- Ótimo/bom: 10%
- Regular: 19%
- Ruim/péssimo: 69%
- Não sabe: 1%
O levantamento do Ibope, encomendado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), foi realizado entre os dias 17 e 20 deste mês e ouviu 2.002 pessoas, em 142 municípios. A margem de erro é de dois pontos para mais ou para menos.
Segundo a CNI, a soma dos percentuais não iguala 100% em decorrência do arredondamento.
Na última pesquisa do Ibope encomendada pela CNI, divulgada em dezembro do ano passado, 9% dos entrevistados aprovavam o governo (consideravam "ótimo" ou "bom"); 70% consideravam a gestão Dilma "ruim" ou "péssima"; e 20%, "regular".
O nível de confiança da pesquisa, segundo a CNI, é de 95%, o que quer dizer que, se levarmos em conta a margem de erro de dois pontos, a probabilidade de o resultado retratar a realidade é de 95%.
'Maneira de governar'
A pesquisa divulgada nesta quarta também avaliou a opinião dos entrevistados sobre “a maneira de governar” da presidente: 14% aprovam; 82% desaprovam; e 3% não souberam ou não responderam.
Além disso, 18% disseram confiar na presidente, enquanto 80% afirmaram não confiar, e 2% não souberam ou não responderam.
Segundo mandato
Na comparação com o primeiro governo Dilma, 3% dos entrevistados consideram o segundo mandato dela “melhor”. Para 80%, a atual gestão é “pior” e 16% dizem ser “igual”.
Ainda de acordo com a pesquisa Ibope, 10% dos entrevistados avaliam como “ótimo/bom” as perspectivas em relação ao restante do mandato de Dilma à frente do 
Planalto, enquanto 68% dizem acreditar que o governo será “ruim/péssimo”. Para 18%, será “regular”.
Notícias sobre o governo
O levantamento do Ibope listou ainda as notícias sobre o governo mais lembradas pelos entrevistados. Veja as cinco mais citadas:
- "Presidente Dilma convida o ex-presidente Lula para assumir um ministério em seu governo/Lula assume ministério": 31%
- "Notícias sobre manifestações a favor do impeachment da presidente Dilma": 17%
- "Notícias sobre operação Lava Jato/Investigação de corrupção na Petrobras/Petrolão": 13%
- "Notícia sobre manifestações contra o governo Dilma": 8%
- "Notícias sobre manifestações contra a corrupção": 8%
Conforme o levantamento divulgado nesta quarta, 9% apontam que as notícias têm sido"mais favoráveis" ao governo; 9% as consideram "nem favoráveis nem desfavoráveis"; 76%, "mais desfavoráveis"; e 5% não souberam ou não responderam.
A pesquisa também ouviu os eleitores sobre a opinião deles por área de atuação do governo. Veja os resultados:
Combate à fome e à pobreza
Aprovam: 29%
Desaprovam: 69%
Não souberam/Não responderam: 2%
Educação
Aprovam: 24%
Desaprovam: 74%
Não souberam/Não responderam: 2%
Meio Ambiente
Aprovam: 25%
Desaprovam: 68%
Não souberam/Não responderam: 7%
Saúde
Aprovam: 13%
Desaprovam: 87%
Não souberam/Não responderam: 1%
Segurança Pública
Aprovam: 14%
Desaprovam: 84%
Não souberam/Não responderam: 1%
Combate à inflação
Aprovam: 12%
Desaprovam: 86%
Não souberam/Não responderam: 3%
Combate ao desemprego
Aprovam: 12%
Desaprovam: 86%
Não souberam/Não responderam: 1%
Taxa de juros
Aprovam: 7%
Desaprovam: 90%
Não souberam/Não responderam: 3%
Impostos
Aprovam: 8%
Desaprovam: 91%
Não souberam/Não responderam: 1%

CARRETA CAI DE PONTE NA TRANSAMAZÔNICA PRÓXIMO A CIDADE DE ITAITUBA

O motorista perdeu o controle do veículo no momento que passava pela ponte

Por: Redação ORM News

Uma carreta caiu de uma ponte na BR-230, entre a comunidade de Campo Verde e o distrito de Miritituba, em Itaituba, oeste do estado, na manhã desta quarta-feira (30). Apesar do susto, ninguém ficou ferido. A rodovia permanece interditada.
Segundo informações da Polícia Rodoviária Federal (PRF), a carreta trafegava pela rodovia e, ao passar pela ponte, que não é sinalizada, o motorista perdeu o controle e o veículo caiu. Um guindaste está a caminho do local para a remoção do veículo.

terça-feira, 29 de março de 2016

PROCURADORA DA REPÚBLICA AJUÍZA AÇÃO CONTRA EX-PREFEITO DE ITAITUBA POR DESVIO DE RECURSOS

 Por Blog do Jeso

Procuradora da República ajuíza ação contra ex-prefeito de Itaituba por desvio de recursos
A procuradora da República Janaina Andrade de Sousa ofereceu denúncia na Justiça Federal contra o ex-prefeito de Itaituba Valmir Climaco [foto], do PMDB, e outras 5 pessoas, acusadas de desviar recursos de convênio firmado entre a prefeitura e o Fundo Nacional de Desenvolvimento para a Educação, FNDE. A informação é do jornalista Evandro Correa, em seu blog.
De acordo com a denúncia, Walmir Climaco não cumpriu um termo de compromisso firmado com o Governo Federal no período em que esteve a frente do Executivo municipal, sendo que foram detectadas fraudes no repasse de verbas para a construção de cinco creches no município.

Leia também – PSC de Santarém perde Geovani Aguiar; vereador vai para o PTN.

Os outros denunciados são Iraci do Socorro Miranda Carvalho, ex-tesoureira da prefeitura, André Judilson Lobato Lopes, Paulo Alexandre Gomes Fernandes, empresário, Mário José de Miranda e Wagner Shigueiro Saita Mesquita, ex-genro de Walmir Climaco.
A procuradora afirma na denúncia que “restou provado que os depósitos feitos para a empresa lobato e Araújo Comercio e Serviços Ltda, por obras não realizadas, foram feitos pela tesoureira Iraci Carvalho, com a devida autorização do então prefeito Valmir Climaco”.
Na ação, a procuradora pede a condenação de todos os envolvidos nas fraudes e o ressarcimento aos cofres públicos no valor de R$ 1.240.616,29, acrescidos de juros e correção monetária.
Essa é a sétima ação que tramita na Justiça Federal contra o ex-prefeito Walmir Climaco. Em uma delas, o ex-gestor é acusado de desmatar ilegalmente 746 hectares de terra em área de preservação.

PMDB OFICIALIZA POR ACLAMAÇÃO ROMPIMENTO COM GOVERNO DILMA

Ministros peemedebistas serão orientados a entregar seus cargos. Partido tem a maior bancada na Câmara

Por: G1
Em 29 DE MARÇO, 2016 - 15H15 - BRASIL  


 O Diretório Nacional do PMDB decidiu nesta terça-feira (29), por aclamação, romper oficialmente com o governo da presidente Dilma Rousseff. Na reunião, a cúpula peemedebista também determinou que os seis ministros do partido e os filiados que ocupam outros postos no Executivo federal entreguem seus cargos.
O vice-presidente da República e presidente nacional do PMDB, Michel Temer, não participou da reunião que oficializou a ruptura com o governo. O encontro partidário foi realizado em um dos plenários de comissões da Câmara dos Deputados.
Comandada pelo primeiro vice-presidente do PMDB, senador Romero Jucá (PMDB-RR), a reunião durou menos de cinco minutos. Após consultar simbolicamente os integrantes do partido, Jucá decretou o resultado da votação.
"A partir de hoje, nessa reunião histórica para o PMDB, o PMDB se retira da base do governo da presidente Dilma Rousseff e ninguém no país está autorizado a exercer qualquer cargo federal em nome do PMDB", enfatizou.
A decisão do PMDB aumenta a crise política do governo e é vista como fator importante no processo de impeachment de Dilma. Há a expectativa de que, diante da saída do principal sócio do PT no governo federal, outros partidos da base aliada também desembarquem da gestão petista.
Atualmente, o PMDB detém a maior bancada na Câmara, com 68 deputados federais. O apoio ao governo, porém, nunca foi unânime dentro da sigla e as críticas se intensificaram com a crise econômica e a deflagração do processo de afastamento  da presidente da República.
Na reunião desta terça, os peemedebistas decidiram que todos os seis ministros da legenda terão que deixar os cargos. Quem descumprir a medida poderá sofrer sanções. Nesta segunda (28), o então ministro do Turismo Henrique Eduardo Alves, sétimo ministro da legenda, entregou o cargo à presidente Dilma.
O vice-presidente da República, Michel Temer, não compareceu à reunião, sob o argumento de que não desejava "influenciar" a decisão. No entanto, ele teve participação ativa na mobilização pelo desembarque do partido e passou toda a segunda-feira em reuniões com parlamentares e ministros do PMDB, em busca de uma decisão “unânime”. 
Dilma também lançou mão dos últimos esforços para tentar resgatar o apoio do partido. Na manhã de segunda, ela chamou ao seu gabinete no Palácio do Planalto seis dos sete ministros do PMDB para avaliar o cenário. No entanto, no fim do dia, Henrique Alves, um dos presentes ao encontro, apresentou a sua carta de renúncia.
Apesar do desembarque, Temer continuará na Vice-Presidência da República sob o argumento de que foi eleito pela população na chapa de Dilma e de que não ocupa, portanto, cargo de submissão à presidente.
Afastamento
A decisão de afastamento já estava tomada, mas o PMDB decidiu dar uma espécie de “aviso prévio” ao governo. Reunião da convenção nacional do PMDB no dia 12 de março foi marcada por discursos em defesa do impeachment de Dilma e do rompimento com o governo.
Na ocasião, ficou decidido que o partido anunciaria em 30 dias se desembarcaria ou não do governo. Também ficou estabelecido que o PMDB não assumiria novos ministérios até que o fosse definido se haveria o rompimento.
No entanto, dias depois, a presidente Dilma ignorou a decisão e empossou o deputado licenciado Mauro Lopes (PMDB-MG) como ministro da Secretaria de Aviação Civil. A nomeação foi vista como uma afronta pelo partido, que abriu um processo no seu Conselho de Ética para expulsá-lo da legenda. O episódio ajudou a agravar a crise e acelerou a decisão do partido.
Escalada da crise
A relação do PMDB com o governo do PT tem se deteriorado nos últimos anos. Quando Dilma se preparava para disputar o segundo mandato, o partido deu mostras claras de que estava rachado quanto ao apoio à petista.
Na época, em junho de 2014, a manutenção da aliança foi aprovada pela convenção nacional do PMDB, mas recebeu mais de 40,8% de votos contrários. A ala dissidente reclamava que o partido não era ouvido pelo governo federal e que os ministros da legenda não tinham real poder de comando.
Ao longo do primeiro ano do segundo mandato de Dilma, a crise se agravou. O primeiro embate entre PT e PMDB ocorreu na disputa pela presidência da Câmara, quando o governo federal iniciou uma campanha ostensiva para que Arlindo Chinaglia (PT-SP) vencesse a eleição e derrotasse o candidato peemedebista Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que se elegeu em primeiro turno. 
Sob o comando Cunha, a Câmara derrotou o Planalto em diversas ocasiões neste ano, com a votação de matérias desfavoráveis ao governo. Além disso, no ano passado, houve na Casa a instalação da CPI da Petrobras, para investigar o escândalo de corrupção na estatal.
Para tentar conter a rebelião na base, a presidente promoveu, em 2015, uma reforma ministerial para ampliar o espaço do PMDB no governo, que chegou a ter sete ministérios. No entanto, a estratégia não foi bem sucedida.
Para agradar os parlamentares na Câmara, o governo entregou ao líder da bancada, Leonardo Picciani (PMDB-RJ), a incumbência de indicar nomes para duas pastas, incluindo a da Saúde, com o maior orçamento da Esplanada. Essa aproximação descontentou ainda mais a ala rebelde do partido, que se voltou contra Picciani quando ele indicou integrantes menos críticos a Dilma para a comissão do impeachment.
Ele chegou a ser destituído do posto em dezembro por oito dias em uma articulação patrocinada diretamente por Temer e Cunha, mas conseguiu reaver o posto com o apoio da maioria.
Para ser reeleito neste ano, foi preciso uma atuação direta do Planalto para garantir a ele votos suficientes, inclusive com a exoneração temporária do ministro da Saúde, Marcelo Castro, para reassumir como deputado e votar a favor de Picciani.
Apesar da entrega de cargos, a ala do PMDB descontente com o governo ganhou força com a queda continuada de popularidade da presidente, agravada pela escalada de denúncias relacionadas à Operação Lava Jato.

segunda-feira, 28 de março de 2016

STF MANDA INVESTIGAR JADER BARBALHO EM CASO DE PROPINA

Venda de ativos de estatal na Argentina teria rendido propina a Barbalho e Renan Calheiros

Por: O LiberalEm 28 DE MARÇO, 2016 - 09H01 - BRASIL
O ministro do STF Teori Zavascki autorizou inquérito para investigar se um negócio da Petrobras na Argentina gerou propina ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), informou reportagem publicada neste sábado (26), pela 'Folha de S. Paulo', também divulgada no portal do jornal na internet. De acordo com a 'Folha', o inquérito foi aberto em dezembro de 2015, a pedido da Procuradoria-Geral da República, e está sob sigilo. O inquérito tem como investigados ainda o senador Jader Barbalho (PMDB-PA) e o deputado federal Aníbal Gomes (PMDB-CE), sob suspeitas de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
Segundo a Folha apurou, o delator Fernando Baiano disse ter participado de operação para viabilizar a venda da participação da Petrobras na empresa argentina Transener ao grupo Electroingenieria, também do país. Baiano afirmou que houve pagamento de propina e que o lobista Jorge Luz havia dito que parte dessa comissão era destinada ao 'pessoal do PMDB'.
Em depoimento à Procuradoria-Geral da República, o delator afirmou que ele e o ex-diretor da área Internacional da estatal Nestor Cerveró receberam US$ 300 mil cada para que a transportadora de eletricidade Transener fosse vendida a um grupo argentino, entre 2006 e 2007. 
Baiano disse que também 'estavam envolvidos na negociação' os senadores Renan Calheiros (PMDB-AL) e Jader Barbalho (PMDB-PA), o deputado Aníbal Gomes (PMDB-CE) e o então ministro de Minas e Energia Silas Rondeau (governo Lula).
Segundo Fernando Baiano, em 2006 ou 2007, ele foi procurado pelo lobista Jorge Luz, que representava o grupo argentino Eletroengenharia. O delator relatou que a empresa estava interessada na compra da Transener.
'Procurou Nestor Cerveró para falar sobre o assunto, tendo sido informado que o negócio já estava fechado com um grupo norte-americano, com parte do pagamento já realizado, restando apenas a aprovação do governo argentino', afirmou.
O delator contou que, diante da informação, Jorge Luz, ele próprio e o ex-ministro argentino Roberto Dromi (governo Carlos Menem) traçaram uma estratégia para a não aprovação da venda pelo governo argentino pelo ministro Julio de Vido (2003-2015/governos Néstor Kirchner e Cristina Kirchner).
'Para acertar dentro da Petrobras a venda da empresa para o grupo argentino pelo mesmo valor do negócio que seria levado a efeito pelo grupo norte-americano, o colaborador recebeu US$ 300 mil. Nestor Cerveró recebeu igual quantia. Jorge Luz fez os acertos e pagamentos aos políticos, não sabendo informar os valores pagos', informou Fernando Baiano.
O lobista foi preso em dezembro de 2014. O juiz federal Sérgio Moro, que mandou prendê-lo, o condenou a 16 anos, um mês e dez dias de reclusão, por corrupção e lavagem de dinheiro em uma ação da Lava Jato. Segundo a sentença, o operador teria intermediado propina de US$ 15 milhões sobre contratos de navios-sonda. Os valores teriam sido repassados à diretoria da Área Internacional da Petrobras, ocupada na época por Cerveró - também preso e condenado na Lava Jato. Renan e Rondeau negam taxativamente o recebimento de valores ilícitos.

SEM-TERRA INVANDEM FAZENDA CEDRO E ATIRAM CONTRA POLICIAIS

Grupo, que estava armado, também ateou fogo nas dependências da fazenda


Por: Redação ORM News com informações da SegupEm 28 DE MARÇO, 2016 - 12H29 - PARÁ

Foto: Divulgação / SegupUm grupo de 'sem-terra' invadiu, na madrugada desta segunda-feira (28), a fazenda Cedro, localizada no km 40 da BR-152, entre os municípuos de Marabá e Parauapebas, sudeste do Pará. PPoliciais civis da Delegacia de Conflitos Agrários de Marabá e equipe do Centro de Perícias Científicas já se deslocaram para o local para ouvir testemunhas e realizar o levantamento da área.
Segundo informações da Polícia Militar, por volta de 1h30 de hoje o grupo, armado com espingardas, invadiu o escritório, laboratórios e alojamentos dos funcionários da fazenda. Os 'sem-terra' expulsaram os funcionários e seus familiares, colando fogo nas dependências e saqueando os bens e móveis da fazenda. 
Uma guarnição da PM da Vila Sororo deslocou-se para o local, porém, foi recebida a tiros pelos 'sem-terra'. Um policial foi atingindo na perna, assim como o veículo da PM. O militar foi levado para o hospital municipal de Marabá, com o apoio do Corpo de Bombeiros. Ele passa bem. 
Uma guarnição do Grupamento Tático apoia o trabalho da polícia na fazenda. As famílias foram retiradas pelos militares.
Investigações - A Delegacia de Conflitos Agrários já fez 12 indiciamentos de invasores por atos de vandalismo, o que motivou, inclusive, a representação de prisões preventivas ao Judiciário, mas até o momento as prisões não foram concedidas.

OPERAÇÃO APREENDE MAIS DE QUATRO MIL METROS CÚBICOS DE MADEIRA

Madeira estava no pátio de três serrarias no município de Moju.

O material equivale a cem caminhões carregados de madeira.


Do G1 Pará
A Operação Gaia apreendeu 4.129 mil metros cúbicos de madeira ilegal no município de Moju, no nordeste do Pará. O material equivale a cem caminhões carregados de madeira. A ação organizada pela a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas) iniciou no dia 20 de março e não tem prazo para ser concluída.
Por vários dias, integrantes da operação fiscalizaram empreendimentos no município e constataram a presença de madeira ilegal no pátio de três serrarias. "Por se tratar de madeira retirada sem o conhecimento e sem a autorização da Semas, o material é ilegal", explica o delegado Marcos Mileo, comandante da operação .
Marcos Mileo garante que a ação será contínua. "O mesmo trabalho continuará acontecendo em Moju e em ouros municípios, a partir da análise e do levantamento de informações, seguidos de fiscalização in locu, com o objetivo de combater a extração ilegal de madeira no Pará", assegura.
Os donos das serrarias onde a madeira foi encontrada já respondem por processo administrativo junto à Semas. Um processo criminal será aberto para analisar os crimes ambientais ligados a presença da madeira ilegal em Moju.

CASAS DE H1N1 VOLTAM A PREOCUPAR DURANTE PERIODO DE CHUVAS, EM BELÉM

De acordo com Sesma, foram notificados 16 casos de SRAG

Ainda foram confirmados dois casos de Influenza A/H1N1.

Vacinação contra H1N1, em Vitória. (Foto: Reprodução/Arquivo TV Gazeta)
Campanha de vacinação para imunizar grupos de 
risco contra o vírus começam no final abril.
(Foto: Reprodução/Arquivo TV Gazeta)
preocupação com a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) está em evidência no Pará com a intensificação das chuvas do inverno amazônico. De acordo com Secretaria Municipal de Saúde (Sesma), foram notificados 16 casos de SRAG, sendo confirmados dois casos de Influenza A/H1N1 e uma ocorrência de metapneumovirus, somente no primeiro trimestre de 2016.
Segundo dados da Secretaria de Saúde do Estado, em 2015 foram registrados 186 casos de SRAG, sendo 12 de Influenza-H1N1, foram 20 óbitos notificados.
A notificação de SRAG é obrigatória e deve ser feita mesmo com suspeita da doença. “A partir do momento que recebemos a notificação, a equipe de Vigilância Epidemiológica aciona o Laboratório Central (Lacen) para a coleta de secreção, que é encaminhada ao Instituto Evandro Chagas para análise e pesquisa de vírus, entre os quais pode estar o vírus H1N1”, explica a diretora do Departamento de Vigilância em Saúde da Sesma, Leila Flores.
Cuidados
A infectologista Vania Brilhante alerta para os sintomas da infecção do vírus. "O H1N1, como vírus influeza, pode desencadear desde um quadro leve gripal até uma SRAG. Já a síndrome tem caráter agudo com sintomas graves de febre, tosse e dispneia, acompanhada de aumento da frequência respiratória e hipotensão em relação à pressão arterial habitual do paciente", explica.
O vírus pode ser agravado com pacientes que podem ter complicações em relação à doença, como idosos, crianças, portadores de doenças crônicas e grávidas. "Dependendo do paciente a infecção pode sim levar a morte. O perigo é a transmissão fácil que tornam alguns pacientes alvos fáceis e com desenvolvimento rápido para SRAG", completa.
O vírus Influenza A/H1N1 circula no Brasil desde a pandemia de 2009. O Ministério da Saúde realiza anualmente Campanha Nacional de Vacinação contra a gripe, que em 2016 iniciará no final de abril. A vacina imuniza contra os principais vírus gripais que circulam no país e é voltada para grupos de risco.
Prevenção
É importante tomar algumas medidas para prevenir a contaminação com o vírus:
Frequente higienização das mãos;
Utilizar lenço descartável para higiene nasal;
Cobrir nariz e boca quando espirrar ou tossir;
Evitar tocar mucosas de olhos, nariz e boca;
Higienizar as mãos após tossir ou espirrar;
Evitar tocar superfícies com luvas ou outro EPI contaminados, ou com mãos contaminadas.

quinta-feira, 24 de março de 2016

O DEDO DURO DE MARCELO ODEBRECHT



Na CPI da Petrobras, Marcelo Odebrecht negou a possibilidade de assinar acordo de delação premiadaO empreiteiro Marcelo Odebrecht sempre fez questão de comparar os acordos de colaboração com a Justiça à traição. No depoimento que prestou à CPI da Petrobras no ano passado (foto), afirmou não ter o que “dedurar”. Numa de suas frases de efeito, disse que, na educação de suas filhas, preferia punir aquela que entregasse a irmã àquela que tivesse feito algo errado. Na ética de Marcelo, escrevi na ocasião, a lealdade à família, o silêncio diante dos crimes cometidos pelos seus têm precedência sobre a verdade.

Foi por isso que, para proteger seus executivos, ele mentiu ao longo de meses a respeito do cartel formado pelas empreiteiras para dividir os contratos da Petrobras, mentiu sobre as propinas e favores feitos a políticos em troca de benefícios do Estado, mentiu sobre as relações espúrias mantidas pela Odebrecht com governos de todos os partidos e cores ideológicas, em especial as gestões Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.

Num encontro com jornalistas em 2014, antes de ser preso, julgado e condenado a quase 20 anos de prisão, ele apontava o dedo para cima, batia a mão sobre a mesa e dizia num tom de voz incisivo, de quem está acostumado a mandar: “Podem investigar à vontade que não acharão nada sobre nós. Sou o único presidente (de empreiteira) que pode dizer isso a vocês de cara limpa, e estou dizendo”. Era mais uma mentira.

Preso pela Operação Lava Jato em 19 de junho do ano passado, Marcelo foi obrigado a enfrentar uma realidade distinta daquela a que estava acostumado. Convocado a prestar depoimento diante do juiz Sérgio Moro, preferiu manter o silêncio e mandou seus advogados responderem por escrito a questões formuladas a partir da peça acusatória. Mesmo diante de um juiz federal, foi incapaz de abandonar sua atitude onipotente, de alguém acostumado a ser servido, agradado e reverenciado.

À medida que o tempo passava e sua condenação se aproximava, advogados, assessores e seu próprio pai, Emílio Odebrecht, recomendavam que ele fizese um acordo de colaboração com a Justiça, única forma de obter algum alívio na pena – tamanhas e tão eloquentes eram as provas de falcatruas recolhidas contra a Odebrecht ao longo da Lava Jato. Marcelo insistia que não, queria a todo custo evitar o estigma do “dedo-duro”.

Até que, diante da última fase da Lava Jato, a Odebrecht emitiu um comunicado informando sua decisão de pôr em prática o que chamou de “colaboração definitiva” com a Justiça. Em princípio, algo nos moldes do que fizeram outras empreiteiras, como Camargo Corrêa ou UTC, envolvendo a delação premiada de executivos e acordos de leniência com as autoridades econômicas.

O Ministério Público Federal (MPF) apressou-se em negar que algum acordo do tipo esteja em andamento. Criticou o uso da imprensa para comunicar tratativas que, por sua própria natureza, deveriam permanecer em segredo. Mas quem acompanha o caso de perto sabe que Marcelo mudou de ideia sobre a delação. Ele aceita contar o que sabe. Conformou-se com a necessidade de, para usar seu próprio termo, “dedurar”.

A dúvida é para onde seu dedo vai apontar agora. Para aceitar fechar o acordo, o MPF exige a corroboração de todos os crimes já desvendados e a revelação de novos crimes, ainda desconhecidos. Marcelo precisa entregar novos nomes, e há pouca dúvida de que ele sabe muita coisa sobre Lula e Dilma. Na atual circunstância política, enquanto o Supremo Tribunal Federal (STF) não decide se Lula ficará ministro, os procuradores de Curitiba e o juiz Moro serão questionados sobre sua competência sobre qualquer revelação feita por Marcelo a respeito dos dois.

A conversa de Marcelo a respeito da delação já vinha andando bem antes da nova fase da Lava Jato e do comunicado emitido esta semana. O que retardava sua decisão eram questões internas e familiares. Numa empresa que sempre prezou a lealdade acima de tudo, a mudança de atitude seria vista como uma quebra de confiança – e confiança é um dos maiores valores nos manuais corporativos da Odebrecht. Para evitar o sentimento depressivo, seria preciso operar uma mudança cultural profunda na empresa. E como Marcelo encararia suas filhas, a quem sempre apresentara a lealdade como um valor absoluto?

Surgiu também uma divergência entre Emílio e Marcelo, sobre a extensão do que ele deveria revelar. Onipotente, Marcelo defendia fazer uma delação que se transformasse numa bomba atômica, algo capaz de “mudar o Brasil”. Cauteloso, Emílio estava mais preocupado com a sobrevivência da empresa. Preferia evitar incluir nomes que pudessem ser importantes para a situação futura da Odebrecht num novo governo, posterior a Dilma – como o oposicionista Aécio Neves, o vice-presidente Michel Temer e vários outros políticos com quem a Odebrecht sempre se relacionou.

Justamente a sobrevivência da empresa foi posta em risco com as descobertas reveladas esta semana pela nova fase da Lava Jato, batizada Xepa, e precipitou a decisão de colaborar – de modo "definitivo" – com a Justiça. O depoimento da secretária Maria Lúcia Tavares e os documentos encontrados na casa do executivo Benedicto Barbosa Júnior são devastadores para a Odebrecht. As declarações de Maria Lúcia, em especial, revelam até que ponto a corrupção estava entranhada no modelo de negócio da empresa. Toda a reconhecida competência de gestão da Odebrecht foi posta a serviço do pagamento de propinas.

Havia um departamento inteiro dedicado a isso: o Setor de Operações Estruturadas. A hierarquia de comando evitava o contado desse setor com o resto da empresa. Ele contava com funcionários dedicados (como Maria Lúcia), uma rede de apoio externa de doleiros espalhados pelo país e um sistema próprio de comunicação segura (Drousys). Todos os pagamentos eram lançados no software de gestão de contratos da Odebrecht (MyWebWay), protegidos por nomes em código e senhas. Com o avanço da Lava Jato, o departamento foi desmantelado, e os sistemas de informática, desativados. Depois das descobertas da Polícia Federal, ficou impossível – para quem ainda não era – negar o envolvimento da Odebrecht nos crimes.

Mais importantes que as revelações de Maria Lúcia, foram todos os documentos e planilhas encontrados em poder de Júnior. Eles revelam como a Odebrecht levou ao extremo outro de seus princípios de gestão: a descentralização, baseada também nos valores de confiança e lealdade. Até o pagamento das propinas a políticos foi delegado aos líderes dos negócios. Em vez de ocupar-se apenas das obras, eles tinham também de negociar com os políticos.

Havia com Benedicto planilhas com registros das obrigações de cada empresa do Grupo Odebrecht em relação a partidos e a cerca de 200 políticos identificados pelo nome. A maioria, previsivelmente, afirma que se trata de contribuições legais de campanha. Mas o fato de uma contribuição ser feita no caixa um não significa que ela não possa configurar corrupção, pois pode ser apenas um pagamento de favor, por um contrato ou obra.

Outros dois documentos parecem contratos em código, usados para estabelecer regras de um cartel – um deles estabelece o regulamento para a equipe de um “campeonato de tênis”, o outro fala no “Sport Clube Unidos Venceremos”. Pela quantidade de informações encontradas com Júnior, seria possível inferir que ele centralizava a contabilidade das propinas na Odebrecht, em tudo aquilo que não dizia respeito à Petrobras. Mesmo assim, o juiz Moro preferiu negar o pedido de prisão preventiva dele, feito pelo MPF.

Um dos documentos mais interessantes é um texto apócrifo, com críticas ao MPF e à Lava Jato, uma espécie de artigo que não se sabe se chegou a ser publicado. Boa parte do texto traz a previsível chiadeira negando o óbvio: as empreiteiras formavam um cartel para se aproveitar dos contratos na Petrobras. Há trechos, contudo, que merecem reflexão. Eles contestam de modo veemente e persuasivo a versão do MPF que atribui à Petrobras apenas a posição de vítima de executivos e empreiteiros inescrupulosos. Apesar de extensos, vale a pena reproduzi-los:

– O MP atribui a organização do esquema de corrupção às empreiteiras, e não ao governo, tratando o financiamento de partidos políticos como uma consequência, e não como a origem e o objetivo central do esquema de corrupção (…) Adota uma interpretação corporativista e leviana, que só aborda um lado da questão, colocando a Petrobras e os políticos como vítimas. (…) A Petrobras é uma empresa de grande porte, com longa tradição de licitação de empreendimentos e na sua administração contratual. Sempre foi considerada pelos seus prestadores de serviço e fornecedores como uma empresa com profissionais tecnicamente qualificados, e reconhecidos por todos os seus contratados como severos, rígidos e dotados de poder discricionário na administração contratual. (…) Basta avaliar alguns exemplos de licitações para compreender que a prática de um cartel sempre operando com sobrepreço e subjugando a Petrobras nunca poderia ter sido a tônica da Lava Jato. É a Petrobras que licita. (…) É a Petrobras que estabelece o orçamento de referência. É a Petrobras que avalia a capacidade técnica das empresas. (…) É ela que analisa as ofertas. É ela que adjudica o contrato. (…) ‘O empresário não é ingênuo,mas também não é o principal responsável pela corrupção. Essa visão foi criada pelo discurso político do governo, que, para se eximir de culpa, tenta incutir na sociedade esse pensamento.’ Que empresário, numa situação normal de concorrência, estaria disposto a se arriscar para, espontaneamente, cooptar agentes públicos a participar de esquemas de corrupção? (…) Dá para acreditar que o diretor da Petrobras “amigo Paulinho” e outros teriam sido corrompidos por propostas milionárias de suborno iniciadas por empreiteiras e que, generosamente, teriam tomado a iniciativa de dividir o suborno com dezenas de políticos e com seus partidos? Será que o Ministério Público acha que somos todos otários para acreditar nisso?

Esse é o tipo de questão que Marcelo Odebrecht poderá ajudar a esclarecer em sua delação. Mais importante do que para onde seu dedo duro apontará, é o Brasil conhecer a realidade sobre as relações espúrias entre o Estado e as empreiteiras, para poder mudá-la.

por Helio Gurovitz